O Alambique do Ratão

A Quinta do Ratão estende-se desde a Capela da Murtosa até à estrada nacional que passa no lugar das Presas. Possui uma casa bem conservada e um Brazão possivelmente pertencente a antigos proprietários que ali viveram em séculos anteriores

Instalado na área de serviço exterior de uma das casas ainda com traça antiga existentes em Mosteirô, o Alambique do Ratão, cujo proprietário há 25 anos era Francisco Maria Oliveira, constitui uma verdadeira relíquia do passado. “Contará mais de uma centena de anos”, disse o proprietário de então a um jornal publicado em Mosteirô em 1993.

Nessa altura, Francisco Oliveira, acrescentaria pormenores bastante interessantes sobre o tão procurado processo de fabrico da aguardente. O alambique “funciona em pleno depois das vindimas, durante os meses de Setembro, Outubro e Novembro. Então, os clientes trazem o mosto da uva e nós procedemos à destilação”.

Após o fabrico, existe uma distribuição entre os clientes e o Alambique que o proprietário explica do seguinte modo: “Por cada giga recebida, entregamos duas partes ao cliente e ficamos com uma parte da aguardente produzida”. Estas operações têm de passar pelo crivo das autoridades: “Naturalmente, tudo é controlado pela Junta Nacional dos Vinhos, através de um registo efectuado por nós próprios, aqui no nosso Alambique.”

À saída do alambique a aguardente tem um alto grau

Quanto à comercialização do produto final, trata-se de um processo que envolve naturalmente outros intervenientes na área comercial. Dizia Francisco Oliveira: “A nossa aguardente é vendida ao armazenista a 155$00 (cerca de 0,77 cêntimos) o litro.”  E acrescenta de seguida: “Ele vai recebê-la em bruto, baixando-lhe a graduação de seguida até atingir os valores impostos pela Lei. É claro que depois o armazenista acrescentas as suas despesas e lucros, pelo que o consumidor vai pagá-la bem mais cara”.

A Quinta do Ratão estende-se desde a Capela da Murtosa até à estrada nacional que passa no lugar das Presas. Possui uma casa bem conservada e um Brazão possivelmente pertencente a antigos proprietários que ali viveram em séculos anteriores.

Murtosa - brazão do Ratão2

Além disso, possui um sistema de captação de águas muito antigo, provavelmente do século XVII. Com efeito, existe uma inscrição que diz que a fonte foi construída em 1677 e reconstruída em 1983, tendo tido obras ainda mais recentes. A montante, havia água com abundância que descia desde Santo Estêvão e se espalhava pelo lugar da Murtosa, vindo inclusive a dar o nome à zona do Cai-Água.

A Fonte do Alambique e o grande tanque que se encontra junto, também conhecido como rio do Ratão, durante várias décadas dos séculos XIX e XX, teve muitas utilidades: serviu para abastecer as casas do lugar, para regar os campos em volta, para resfriar a serpentina da caldeira do bagaço, para as mulheres do lugar virem lavar a roupa e até como piscina natural. “Linda Fonte, cheia de belas recordações, onde deu água para todas as casas do lugar da Murtosa. Essa água enchia os tanques, que ainda hoje lá existem, e as mulheres do lugar ali vinham lavar directamente as suas roupas. Era uma correria diária e constante, até anos mais tarde as pessoas começarem a fazer os seus próprios poços. Um bem-haja para a Fonte do Ratão que serviu tanta gente deste lugar e mesmo gentes de bem longe.”, conta Clarinda Teixeira.

A casa da Quinta do Ratão foi construída em 1677 e pertencia a um capitão da guarnição da Vila da Feira. A Fonte do Ratão tem marcada a data de 1677. “A fonte vem de uma nascente que se encontra na Pedreira da Etiópia, nos pinheirais que pertenceram às quintas do Ratão e de Gil Andrade e Silva, quem vai para Santo Estêvão e Casaldelo”, conta-nos Lucinda Gomes de Pinho, conhecida como Lucinda do Ratão. “Quando comprámos a quinta, o Francisco resolveu substituir a mina, que é muito comprida, por manilhas, desde a nascente até à fonte”.

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Autor: mosteirofeira

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