Família de António de Bastos Dias

– Oh rapaz, vai-me buscar lume à cozinha! Pediu o Tio António do Magina, como era conhecido, ao seu neto, para poder acender o cigarro que tinha estado a enrolar.

O miúdo lá ia à lareira buscar uma brasa acesa, trazendo-a com uma tenaz mas, quando chegava à sapataria, já a brasa se tinha apagado. Paciente, António de Bastos Dias pedia novamente:

– Vai lá buscar outra brasa que esta já não dá!

A cena repetiu-se umas três vezes, até que o neto, de seis anos de idade, não se conteve e respondeu-lhe muito chateado:

Daqui a bocado, nem sei o que te faço!

Foi uma gargalhada geral na sapataria, tanto por parte dos sapateiros como dos fregueses que se encontravam ali presentes naquele momento.

Na foto: António de Bastos Dias com os filhos António, Quitas, Joaquim, Emília, Porfírio e Manuel, ao lado da entrada da sapataria

Primeira referência data de 1747

António de Bastos Dias, conhecido como António Magina, nasceu em Agoncida no dia 7 de Julho de 1902, filho de José António Dias, pedreiro de profissão, e de Joaquina Pereira de Bastos, governanta de casa, ambos naturais de Mosteirô. Era neto paterno de Manuel António Dias e de Anna Maria Angelina, e era neto materno de Francisco de Bastos e Anna Pereira Coelho. Foram padrinhos de baptismo António de Bastos e Maria Dias Angelina.

António Magina casou com Ana Pereira de Oliveira e veio a falecer em 6 de Janeiro de 1955. Deixaram numerosos descendentes, contando com filhos, netos, bisnetos e trinetos.

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A primeira referência à família Bastos em Mosteirô data de 10 de Dezembro de 1747. Nesse dia seria baptizada na Igreja de Mosteirô, Joaquina, filha de João Manuel e de Isabel Gomes de Jesus, tendo sido madrinha Antónia Gomes Soares mulher de António de Bastos, do Lugar de Costeira, freguesia de Carregosa, a qual pertencia naquela altura ao bispado de Coimbra.

No final do século XIX os pais de António Bastos, José António Dias e Joaquina Pereira de Bastos, tiveram duas filhas: Maria e Carolina. Maria de Bastos nasceu no dia 26 de Junho de 1898, no Lugar de Agoncida, foi baptizada no dia 5 de Julho de 1898, na Igreja de Mosteirô, sendo padrinhos os avós Francisco de Bastos e Anna Maria Angelina. Por sua vez, Carolina de Bastos nasceria um ano e meio mais tarde, a 15 de Janeiro de 1900, em Agoncida, sendo baptizada poucos dias depois, a 22 de Janeiro de 1900, tendo tido como padrinhos, Joaquim de Carvalho Assis, pedreiro de profissão, e Carolina Rosa de Jesus, criada de servir.

A casa e a sapataria

Sapateiro de profissão, António Bastos tinha uma sapataria que funcionava no rés-do-chão da sua casa, na Agoncida e, durante algum tempo, em parceria com Manuel do Nicolau que, entretanto, emigrou para o Brasil onde viria falecer. Às vezes, a Tia Ana Magina, para além da lida da casa, ajudava nas tarefas de gaspeadeira, um trabalho bem difícil que necessitava de força e perícia e que consiste em coser as gáspeas, a parte superior e dianteira que cobre o pé do sapato ou da bota, e pregá-las nas solas. Além disso, muitas vezes tinha a tarefa de endireitar os pregos que entortavam. Naquela época, não podia haver qualquer desperdício e tudo tinha de ser aproveitado.

 

 

A antiga casa, junto à de Evaristo Martins, foi entretanto inteiramente remodelada, mas mantendo a traça original, como se pode comparar por estas duas imagens com uma diferença de quatro anos.

Muitos saíram da terra

Foram muitos os familiares de António Magina que emigraram para o estrangeiro à procura de condições de vida mais consentâneas com as suas aspirações e necessidades das suas famílias e outros foram para outras terras no País onde puderam encontrar melhores condições de vida. Tal foi o caso de Armindo de Bastos que casou e iria trabalhar como cantoneiro de limpeza para o Porto, passando a viver na Rua do Molhe, na Foz do Douro, perto de outros familiares que, entretanto, tinham deixado Mosteirô e procurado trabalho no Porto, onde acabaram por constituir família e criar os filhos.

Na década de 1930 e 1950, outros elementos da família Bastos, emigrariam para a Argélia e para o Brasil. Tal foi o caso de Francisco dos Santos, casado, pedreiro de profissão, filho de Manuel dos Santos e Ermelinda Bastos, o qual em 1932 emigraria par a colónia francesa da Argélia, onde havia uma grande procura de pedreiros para o trabalho nas minas. Também Nelson Bastos da Cruz emigrou para o Brasil em Julho de 1951. Nascido em 17 de Maio de 1935, Nelson Bastos, aprendiz de carpinteiro, era filho de Carolina Bastos e de Manuel Alves da Cruz.

Família - Armindo e Jorge da Foz

O Comércio da Fruta

Com o casamento do filho António de Bastos e de Lurdes Coelho vai-se assistir ao crescimento de uma actividade comercial de compra e venda de fruta e de produtos hortícolas. Com efeito, Lurdes desenvolvia a sua actividade de vendedora no Mercado de S. João da Madeira e, com o seu jeito para negócio, transformou o que era um pequeno comércio familiar numa grande empresa cuja actividade se estende a todo o País.

Lurdes Coelho, acabou por adoptar a alcunha que vinha do marido, e toda gente a passou a conhecer como Lurdes Magina. A actividade cresceu e foi fundada a Frutas Maginas, uma empresa familiar, sediada na freguesia de Souto, e que já tem mais de 50 anos de experiência no sector do Comércio por Grosso de Fruta e de Produtos Hortícolas.

 

 

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Autor: mosteirofeira

Site com histórias sobre Mosteirô e as suas gentes

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