Brasão da casa do Ratão remonta à época do Marquês de Pombal

O brasão que se encontra na Casa do Ratão pertencia à família dos Carvalhos. Por volta de 1750, Salvador de Carvalho, morador no Lugar da Murtosa, possivelmente na casa que hoje é do Ratão, era o dono, em conjunto com o capitão Marques Ferreira, da Capela de Nossa Senhora do Ermo, segundo testemunha o pároco de Mosteirô naquela época, o cura Joaquim Henriques.

Em 1782, na sepultura de um familiar aparece de novo o mesmo brasão dos Carvalhos. Com efeito, na parte de cima da lápide aparece o referido brasão e, na parte de baixo, encontra-se uma inscrição que diz: “Sepultura que mandou fazer Manuel José de Carvalho Pereira da Casa Coelho, Profano na Ordem de Cristo para ele e seus descendentes, Anno de 1782”. Esta sepultura encontra-se guardada na sacristia do lado esquerdo, no interior da Igreja de Mosteirô.

O brasão faz ainda ligação aos Pereira, por parte da avó paterna de Manuel José de Carvalho Pereira Grilo, Susana Valente Pereira, natural de Mosteirô. Diz-nos Maria Do Céu Sousa que se trata de um “Brasão esquartelado – O 1º quartel é sem dúvida dos Carvalhos: campo azul e uma estrela de ouro de oito pontas ante uma quadrena de crescentes de prata – TIMBRE um cisne cor de prata – ELMO aberto; 2º quartel dos PEREIRA (família de D. Nuno Álvares Pereira): cruz vazada com flor de Liz nas quatro pontas”. Não havendo a certeza sobre os restantes, tudo indica que o terceiro quartel represente os Silva enquanto que o quarto quartel representará os Coelho, tendo como certo que Manuel José de Carvalho Pereira Grilo, de seu nome completo, pertencia à Casa Coelho, e era neto materno da Isabel Gomes Coelho, mulher do capitão Manuel da Silva Grilo.

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Certo é que a família Carvalho é originária de Carregosa, naquela época pertencente ao concelho da Vila da Feira, e o pai de Manuel José de Carvalho era o licenciado Constantino de Carvalho Pereira, natural da Quinta da Póvoa, em Carregosa, e a sua mãe era Josefa Teresa Grilo, natural do Lugar da Murtosa. É curioso notar que a Igreja Nova de Mosteirô foi mandada construir na época do Marquês de Pombal e, apesar de o número de habitantes andar nas poucas centenas de pessoas, se tenha construído uma igreja imponente, difícil de encontrar na região com a mesma amplitude. Acontece, porém, que no Lugar da Murtosa viviam um conjunto bastante alargado de militares de patente elevada e com influência na região.

Tanto este brasão que se encontra na pedra sepulcral na sacristia da nossa Igreja como o brasão que se encontra incrustado na frente da Casa do Ratão possuem a marca típica dos brasões dos Carvalhos: a estrela de oito pontas e um círculo de crescentes, tendo no cimo do brasão um cisne, o timbre dos brasões dos carvalhos.

Carvalho

O brasão da família Carvalho é constituído de azul, com uma estrela de ouro com oito pontas, encerrada num círculo de crescentes de prata. No seu timbre podemos perceber um cisne de prata, membrado e armado com ouro. No peito do cisne há uma estrela semelhante à do escudo.

O Registo heráldico tem o Brasão da Família Carvalho um dos 72 brasões das 72 famílias principais da alta nobreza de Portugal no séc. XVI, que foram pintados no tecto da Sala dos Brasões do Paço Real de Sintra, por ordem do rei Manuel I, (1469-1521), Rei de Portugal de 1495 a 1521, que escolheu esses 72 brasões quando mandou reorganizar e qualificar a nobreza portuguesa tendo por objectivo: escolher as famílias mais ilustres do Reino, em honra, história e bens, no séc. XVI. A mais conhecida Família portuguesa com este sobrenome será certamente a do Marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho, ainda que não tenha a chefia da antiga Família Carvalho portuguesa. Tem-se como certo que serão descendentes do rei Afonso Henriques.

Manuel Pinho

Hoje em dia, a casa do Ratão tem uma grande ligação aos familiares que usam o nome Pinho e a outros como Oliveira e Teixeira. Os primeiros Pinho que aparecem na Murtosa datam igualmente do final de 1680 e início de 1700. Por volta da década de 1720 nascem alguns familiares deste ramo moradores no Lugar da Murtosa. É o caso de Manoel de Pinho que nasceu a 7 de Novembro de 1721, filho de Manoel António de Pinho e de Maria Leite (uma outra família originária do mesmo Lugar, mais conhecidos como dos Aidos). Foram padrinhos o Alferes Estêvão Gomes Correia, um conhecido militar que vivia igualmente na Murtosa, e Clara, filha de Baltazar António de Brito, sendo testemunhas Domingos de Fontes e Manoel Jorge. Em Setembro do mesmo ano, nasceu possivelmente um primo de nome José, filho do referido Domingos de Fontes e de Joanna de Pinho, e em que no baptizado aparece uma vez mais como padrinho o Alferes Estêvão Gomes Correia, do Lugar da Murtosa.

Não se sabe se o apelido Fontes que aqui aparece no início do século XVIII terá algo a ver com a fonte do Alambique do Ratão, mas o grande tanque que se encontra junto, também conhecido como rio do Ratão, durante muitas décadas teve muitas utilidades: serviu para abastecer as casas do lugar, para regar os campos em volta, para resfriar a serpentina da caldeira do bagaço, para as mulheres do lugar virem lavar a roupa e até como piscina natural. “Linda Fonte, cheia de belas recordações, onde deu água para todas as casas do lugar da Murtosa. Essa água enchia os tanques, que ainda hoje lá existem, e as mulheres do lugar ali vinham lavar directamente as suas roupas. Era uma correria diária e constante, até anos mais tarde as pessoas começarem a fazer os seus próprios poços. Um bem-haja para a Fonte do Ratão que serviu tanta gente deste lugar e mesmo gentes de bem longe.”, conta Clarinda Teixeira.

 

 

 

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Autor: mosteirofeira

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