Quinta Sousa Brandão: uma longa história

A Quinta Sousa Brandão tem toda uma longa história por detrás, que vai até ao século XVI, no reinado de Afonso III, quando aparece uma primeira referência à Casa da Murtosa, do Capitão Carlos Correia de Sousa, a quem é concedido o Brasão dos Correias.

No século XX existiam em Mosteirô diversas quintas, espalhadas pela freguesia, muradas e com a casa dos proprietários, com terrenos agrícolas e currais para os animais de carga ou de produção leiteira, com palheiros, eiras e espigueiros. Algumas tinham casa do caseiro que se ocupava das terras. As quintas do Ratão, dos Aidos, do Alferes, do Campinho, do Pereira, do Valente, de Gil Andrade e Antero Andrade, de António do Bento e de vários outros agricultores, encontram-se entre as que representavam os vários lugares da freguesia.

Actualmente ainda restam algumas quintas que conservam características próprias, apesar de a agricultura já não possuir a intensidade que tinha nos séculos anteriores. Seleccionamos três delas, nas quais se tem procurado preservar a arquitectura, os espaços e a envolvente ambiental.

Quinta Sousa Brandão, também conhecida como Quinta da Murtosa

A Quinta Sousa Brandão tem toda uma longa história por detrás, que vai até ao século XVI, no reinado de Afonso III, quando aparece uma primeira referência à Casa da Murtosa, do Capitão Carlos Correia de Sousa, a quem é concedido o Brasão dos Correias.

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A quinta viu nascer nomes ilustres de Portugal, sobretudo o juiz de Coimbra, Vicente Correia de Sousa Brandão, o seu tio Pantaleão de Sousa, cónego de Lamego, e o general Francisco Maria de Sousa Brandão, lutador das causas das liberdades e defensor das classes trabalhadores.

Hoje, a quinta Sousa Brandão, também conhecida como Quinta da Murtosa, encontra-se classificada como “imóvel de interesse histórico, arquitectónico, artístico e paisagístico”, pela Secretaria de Estado da Cultura. O processo para a sua classificação foi solicitado pela Câmara Municipal de Santa Maria da Feira.

Para além do conjunto habitacional, em parte recuperado, com entrada principal do lado da Murtosa, pela calçada que faz parte da Via Antiga de Mosteirô, a quinta possuía uma área de lazer, do lado da entrada das Presas, com caminhos por entre árvores frondosas, por onde circula um curso de água, com pequenas pontes de atravessamento. Esta parte incluía um “court” de ténis, em terra batida, certamente o primeiro de Mosteirô e um dos primeiros da região.

A quinta possui um precioso conjunto de árvores catalogadas, nomeadamente a Árvore do Ponto ou Tulipeiro da Virgínia, com mais de 150 anos, bem como uma murta, um carvalho-alvarinho, ulmeiros, eucaliptos, plátanos, carvalhos, e ainda outras árvores frondosas que se podem avistar ao longe, desde o alto de Fornos, e que fazem parte da Rota das 100 mil árvores.

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Junto ao solar íamos encontrar um jardim e grandes tanques de água, proveniente do alto de Santo Estêvão. Na visita realizada pela organização 100milárvores, os participantes puderam constatar que “no jardim de buxos foi possível o encantamento com o monumental tulipeiro-da-Virgínia (Liriodendron tulipifera), um exemplar classificado e com mais de 150 anos.” Esta árvore, “conhecida pelos estudantes de Coimbra como a árvore do ponto”, é provavelmente o mais alto tulipeiro em Portugal.

O solar setecentista foi recentemente em parte recuperado e possui características muito próprias. Está situado ao longo do troço da Via Antiga de Mosteirô, que ia da Murtosa até Santo Estêvão, e o acesso principal situava-se precisamente nesta calçada, hoje designada pelo nome do General Sousa Brandão. A quinta encontra-se cercada a toda a volta por muros altos em alvenaria de pedra, com duas entradas – a principal, a da Murtosa e a das Presas – que, entretanto, passou a ser o principal acesso, desde o início do século XX.

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O solar terá sido construído por volta de 1780 e reformado posteriormente, “ao gosto setecentista”, de acordo com A. Nogueira Gonçalves, in Inventário Artístico de Portugal, distrito de Aveiro, SNBA, 1981. Já na década de 1920, o então proprietário, Manuel Carlos de Sousa Brandão, efectuou uma grande alteração à casa, com a demolição da casa dos caseiros e a construção uma nova sala de jantar e cozinha.

 

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Autor: mosteirofeira

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